terça-feira, 21 de agosto de 2012

Capítulo 20 - " De novo lá"


[Flávia]

Tinha uma coisa má. Era levantar cedo para ir à escola aturar a stora de inglês. Infelizmente eu e o Inglês não somos como unha e carne. Não é que seja ruim, lá me vou safando, mas verdade seja dita, aquela stora não me dá nem um desconto. E tinha uma coisa boa. Era só ser mais dois dias e Férias de Natal. Ainda não sabia o que iria fazer, desde que passasse as férias ao pé da Márcia, podia ser em qualquer sítio, até que fosse na China.
Infelizmente, tinha de parar com os meus pensamentos pois tinha recebido uma mensagem da Márcia.


De: M.A Crazy ^^
Ó parvinha demoras muito, daqui a pouco crio raízes!


Como sempre, ela esperava sempre por mim. Não sei porquê, mas eu é chegava sempre atrasada ao sitio onde nos encontrávamos para ir juntas para a escola. 
Como sempre eu tentava andar rápido, mas o frio parecia que me congelava os músculos fazendo que andasse tão devagar que só pensei vir a andar assim quando fosse mais idosa. Infelizmente, tinha acontecido mais cedo.
Como estava quase perto do café resolvi não lhe responder para não fazer força nos dedos, e tentar ignorar o facto de estes também estarem congelados, o que fazia que tivesse dificuldades em movimentá-los.


- Até que enfim! - Diz ela alto e bom som erguendo as mãos ao céu.
- Bom dia!- relembrei-a.
- Pois, Bom dia para ti! Fizeste-me esperar aqui, e ainda para mais nem respondes-te.- Eu simplesmente me ria. - Não acho piada.- não achando piada nenhuma à maneira que lhe retribuia.
- A minha mãe adormeceu no sofá.- justifico-me passado algum tempo de silêncio.
- A sério? Mas porquê? - diz estranhando.
- É que não faço a menor ideia. Há mas hoje é o dia em que vamos às incrições... vens comigo? - fazendo-lhe olhinhos, de maneira que ela caísse no meu dominável olhar.
- Ai, tu não me faças essa cara! - desviando os olhos da minha cara. - Mas sim vou.
- Resulta sempre. - Rindo-me
- Mas não é por causa da tua cara... - e a sua voz torna-se meiguinha - fofinha, e doçura que parece um gatinho - voltando ao tom de voz normal-  é só porque estou em curiosidade em saber como é o teu sítio.
- Bem é um clube.
- Clube? A sério? Quer dizer que há mais coisas sem ser o boxe?
- Parece que sim.
- Interessante.... Mas sim eu vou contigo. Só que tens de esperar por mim no portão da escola, já sabes que eu só saiu as 18.30.
- Ok, se não tiver no portão estarei no bloco, sempre está mais quentinho. - fazendo-lhe uma careta.
- Tu realmente és muito friorenta, não haja dúvida. - abanando a cabeça , como se fosse impossível.


A verdade é que eu sou muito friorenta, e para levantar-me da minha adorável cama é uma tortura.
Ao menos este dia seria diferente e como é óbvio eu estava entusiasmada para entrar no boxe, mas antes tinha de ter algumas aulas e apanhar uma grande seca à espera da Márcia.


As aulas forma passando devagarinho, mas ainda mais devagar passou o tempo que eu tive de estar à espera da Márcia no bloco, para podermos ir juntas para casa.
- Já aqui estou. – Vejo ela a aproximar-se.
- Bem, demoras-te tanto que a minha mãe vêem-nos buscar.
- Fixe! Assim podemos ir aquele nosso sítio. – Diz baixinho.
- Mas que sítio?
- O da outra vez? Lembras-te?
- Há, já sei. Mas queres ir lá fazer o quê?
- Tentando que não apanhes aqui outra seca. – Bem, até era uma boa justificação. Afinal também era só ir lá ver. Passamos novamente pelo corredor e ao fundo lá estava a famosa porta do Diretor. Eu já nem me lembrava onde estava a “porta secreta” mas a Márcia deu logo com ela e rodou a maçaneta. Primeiro entrou ela e eu fui logo atrás.

Fechei a porta e quando olho para ela já tinha acendido a luz de um candeeiro de mesinha de cabeceira, e já se encontrava no colchão de água toda feliz.
- Anda para aqui também. – Diz à medida que saltava.
- Não sei.- Digo indecisa.
- Anda a sério! Só somos nós.
- Está bem! – E foi a correr, saltando logo para cima dela.
- Olha se arrebentamos com isto. – Rimo-nos à gargalhada.
- Isto é mesmo giro. – Declaro, depois de já estarmos mais calmas limitando-nos a olhar para o teto azul com desenhos de estrelas e uma lua; depois num canto tinha o Sol com nuvens, e estas tinham formas como nos parece ser na rua.
- Olha lá este ser o nosso quarto?
- Realmente, isto está muito bem feito. – Nisto sinto o meu telemóvel a vibrar no bolso do casaco. Era a minha mãe a telefonar-me.

- Então quem era? – Pergunta-me a Márcia depois de ter desligado a chamada.
- Era a minha mãe. Ela está à nossa espera ao pé do portão, de carrinho. – Digo feliz.
- Então bora. – Pegamos nas nossas coisas e assim que eu ia para rodar a maçaneta, senti que também alguém estava a rodar da parte de fora, e dei um passo para trás. Fiz sinal à Márcia e como já não havia tempo de ir pelo outro porta, ficámos a olhar com curiosidade para saber se a pessoa que iria entrar seria o dono daquele misterioso quarto. 




sexta-feira, 16 de março de 2012

Capitulo 19 - " Susto "

Já era um novo dia. Dia no qual a Flávia tinha de ir fazer a inscrição no boxe. Infelizmente ela tinha de enfrentar primeiro os professores. A sua sorte é que já estava quase de férias.
Levantou-se e quando se dirigiu à cozinha para aquecer o seu leite e ouviu um barulho vindo da sala. Assustada foi devagarinho ver o que se passava.

Quando abriu a porta deparou-se com a mãe a queixar-se.
- Mãe! - diz admirada por vê-la a pé aquelas horas, clicando no interruptor para acender a luz. - Dormis-te aqui? - conclui ao vê-la com a mesma roupa de ontem à noite.
- Bom dia! Não te preocupes que a tua mãe está ótima só bateu com o dedo do pé na mesinha mas está ótima. - Diz Madalena tentando despertar atenção da filha para não levar com perguntas em cima.
- Ó desculpa. - dirigindo-se à mãe que se encontrava sentada no sofá olhando o seu dedo. - Aleijaste-te?
- Está a doer-me. Mas já passa.
- Deves ter o pé duro, fizeste cá um barulho...
- Obrigadinha filha, às escuras também tu.
- Se eu não adormecesse cá...
- Se não deixasses as coisas desarrumadas
- Se não dormisses na sala - insiste
- Aconteceu...
- Hum - ouve o toque do micro-ondas indicando que o tempo que ela tinha colocado para aquecer o leite já tinha terminado- Bem, eu vou comer, porque hoje ainda tenho aulas.
- Fazes bem. Eu já lá vou ter. - E Flávia dirigiu-se para a cozinha.
Madalnea estava a morrer de sono, e o dedo do pé ainda lhe doía. Devagarinho, foi até à cozinha, onde Flávia já estava quase a terminar o seu pequeno-almoço.
- Então estás melhor?
- Quem diria que agora estás muito preocupada.
- Ok, eu não disse nada.
- Bem, hoje vamos ao clube para te inscrever no boxe?
- Clube? Pensei que fosse mesmo numa cena só de boxe.
- Não, assim não é tão caro, e sabes que a mãe não anda bem no emprego.
- Pois... Mas o clube tem mais o quê?
- Bem tem representação, ballet, boxe, karaté, ginástica, enfim... Um pouco de tudo.
- Muito fixe.
- Mas quando não gostares do boxe podes ir para outra coisa, porque disseram-me que depois é durante dois meses grátis, por isso...
- Espetáculo, mas se fosse iria para uma dança, menos ballet.
- Estás com tanta coisa do ballet, ainda vais gostar.
- Não por amor de Deus. - Levanta-se e coloca a tigela no lava-loiças - Estar ali e dançar de bicos de pés toda direitinha... -Imagina um pouco- Não. Absolutamente não - Conclui.
- Ó não tu sabes.
- Eu gosto é de musicas mexidas isso sim, e aprender um pouco até seria fixe.
- Pois e...
- Mãe está na hora de ir. Tenho que ir ter com a Márcia para depois irmos juntas. Beijinhos. - Já estava quase a sair - Há, amanha vais ter que ir à reunião.
- Reunião?
- Sim eu depois digo-te as horas. Até logo beijinhos - fecha a porta e Madalena fica na cozinha a pensar sobre a reunião. Afinal teria de enfrentar o Diretor muito mais cedo do que ela pensava.






quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Capitulo 18 - "Encaixamento"

[Flávia]
Aquele suspense todo estava a criar um cubo de gelo no meu estomâgo. Causava formigueiro e ansiedade que foi quebrada quando ela disse as tais palavras: "Boxe".
Fiquei sem reacção durante uns segundos. Fiquei surpresa por ela se ter lembrado de tal coisa, que no fundo até batia certo.
- Bem - digo insegura
- Não achas boa ideia? - pergunta-me preocupada da minha reacção estar a ser tão demorada.
- Não... quer dizer sim. Só não me tinha lembrado de tal ... 
- Eu acho que te iria fazer bem
- Pois... posso tentar.
- Vais ver que vais gostar - diz com muita convicção o que me fez desconfiar
- Como tens tanta a certeza? -
- Afinal queres-te defender certo? 
- Pois realmente quero.
- Então prontos. Há dês gostar. - diz outra vez com muita convicção o que me obrigou a dizer aquilo que me passava pela cabeça.
- E foi o director que te lembrou? - Ela olhou-me uns segundos, e só depois é que respondeu atrapalhada.
- O director? por amor de deus.  Foi a tua rica mãe que se lembrou.
- Então o que ele te disse para ficares tão preocupada? - aproveitei a situação para tentar descobrir algo daquela conversa.
- Nada... -faz uma pausa e baixa a cabeça parecendo triste-  Sabes é que a tua mãe precepita-se. - deixando-me baralhada. Afinal o que é que o seu precepitar tinha a ver com a conversa do director?
- Precepitas-te? não estou a perceber...
- Esquece. Coisas de adultos. - mal pronunciou essa ultima frase, desisti. Ela quando vem com o rodeio que são coisas de adultos, dá-me cá uma comichão no meu nariz... Enfim. Não insisti mais e despedi-me dela.
- Ok. Então boa noite.
- Boa noite


E quando já estava na porta da sala ela chama-me.
- Flávia - viro-me para ela. - Dorme bem.
- Ok. tu também. - sorrindo, apesar de aquelas palavras não parecerem ser as que ela ia dizer, mas também não quis insistir muito e dirigi-me par ao meu quarto. Quando lá cheguei verifiquei que o meu telemóvel vibrava em cima da mesinha de cabeceira e quando me aproximava vi no ecrã 2 mensagens recebidas e claro eram da Márcia.


De: M.A. Crazy^^
Olá minha beztezinha, tudo bem? E o dia de hoje curtis-te? Ó diz lá que aquele sítio não era um espanto *-* . Até parecia um sonho ... Ninguém pode saber do nosso "esconderijo" . Diz novidades beijocas.


De: M.A. Crazy^^
Desculpa lá estar-te a mélgar outra vez com esta mensagem mas e a tua mãe? conseguis-te saber alguma coisa do que se passou naquelas paredes? Vá beijoca depois diz algo de preferência ainda hoje, senão morro de curiosidade ;p


Aquela Márcia nunca muda. Mas claro tinha de lhe contar a grande ideia da minha mãe que pelo o que ela disse a ideia era só dela.


De: Bestezinha dmv
Olé minha Crazy, tenho uma novidade para te contar. Eu nem quis acreditar, a minha mãe vai-me inscrever no boxe. Quando ela me contou até fiquei parva mas deve ser fixe, acho eu. Eu queria era que tu viesses comigo às inscrições. Em relação ao quarto claro que gostei ;) , já em relação da conversa da minha mãe e do Director nada. Zero nicles batatóiques. Enfim até amanhã, às 7.50 no café para depois irmos para a escola ... só mais 2 dias Crazy ;D   Beijo


Assim que respondi, vesti o pijama e deitei-me por baixo dos meus lençóis pensando que as aulas já estavam quase acabar e o Natal aproximava-se.

sábado, 3 de setembro de 2011

Capitulo 17 - "Mistério [3ªpart.]

Depois de ter havido aquele fenómeno tudo, e alguns segundos de silêncio, mãe e filha continuavam a olhar uma para a outra.
- Bem - tentando quebrar o silêncio - Parece que a conversa vai ser grande.
- Pois talvez... - diz pensando noutros assuntos
- Então vamos para o meu quarto. - abrindo a porta
- E porquê no teu?- Pergunta Márcia logo de seguida, travando o movimento de Madalena.
- E porque não pode ser ? - olhando para a filha.
- E no meu? pode? - diz mais uma vez de seguida, deixando a mãe sem reacção.
Faz-se silêncio.

- Ó Filha - pondo a mão na cabeça pela conversa parva que estavam a ter. - É melhor irmos para a sala.
- Pois secalhar é melhor. - respondendo sempre de seguida, sem deixar um segundo que fosse de intervalo entre as falas das duas.
- Então ... - dizendo a palavra muito lentamente, como se esperasse alguma coisa.
- O quê? - diz Márcia sem se perceber o porquê daquele teatro todo.
- Anda rapariga. - Apontando com o dedo polegar para a porta da sala.
-- percebendo. - Estou a ir. - caminhando até à porta.

Flávia não estava bem disposta pois não queria que a mãe ralhasse com ela por não lhe ter dito nada sobre o que se tinha passado, pois Madalena não gostava de ser a última a saber das coisas.
Entraram na sal e Flávia sentou-se no sofá de 3 lugares, fazendo com que Madalena se senta ao seu lado. Fez-se silêncio durante um tempo até que Madalena decidiu quebrá-lo.
- Bem começo eu. - informando
- Ok .
- Então, eu queria perguntar-te ...
- Mas olha - interrompendo-a - Não me perguntes da situação. Como se passou e porquê não ter te dito nada. - Madalena ouvi-a. - Tive medo. - faz pausa para respirar fundo. - Era tudo novo e sentia-me revoltada pelo facto de já não estar com a Márcia. Não te sei explicar. Tive medo do que ela podia-me fazer, e eu não quero voltar a sentir o que senti. Não quero ser defendida nem protegida. - olha para a mãe.- Quero proteger-me e defender-me.
Madalena ao ouvir tais palavras de Flávia, não sabia o que havia de fazer. Ficou momentos a olhar para a filha e quando entrou em si, conseguiu concluir...


[Madalena]
Nem queria acreditar. Era impossível, tão impossível que eu nem tinha palavras. a maneira de como me contou o que sentiu soube-me bem, não pelo que lhe tinha acontecido mas sim de me ter contado como se fossemos amigas, e não de mãe para filha. Nunca pensei que viesse a falar tão abertamente com ela, pelos vistos consegui aquilo que eu nunca pensei que viesse acontecer.


- Queres-te defender?- perguntei-lhe para ter a certeza de que era mesmo aquilo que ela queria.
- Sim mãe quero! - diz com os olhos arregalados e com um sorriso indiscreto estampado no rosto. - Não quero sentir o que senti... foi horrível. - baixando a cabeça, o que me destronou o coração. Até que me lembrei da ideia que eu tinha tido e que batia certo com aquilo que ela queria.
- Se te queres defender - coloquei a minha mão no seu queixo que continha um sinal lindo fazendo com que levantasse a cabeça. - Tenho a solução. - fazendo com que ela soltasse um sorriso, desta vez bem visível no seu rosto.
- Agora parecias aquelas na publicidade.- Soltando uma ligeira gargalhada.
- Pois mas não. E não falo de comprimidos... - Cortei essa hipótese, só para lhe por mais curiosidade
- Ginásio? - Deu outra sugestão.
- Não. -neguei sorrindo.- Não fica muito longe dessa hipótese. Mas não, não é. - acenei com a cabeça negativamente.
- Então mãe o que é? - endireitando o corpo e o rosto, com que fez que os seus lindos olhos sobressaíssem. Não consegui resistir e quebrei o mistério.
- Boxe. - fiz pausa. - Vou te inscrever no boxe.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Capitulo 17 - "Mistério [2ªpart.]

Deixaram a Márcia na sua casa e seguiram caminho para a delas. Eram só mais uns 5 quarteirões que tinham de aguentar no carro ao som da cidade FM.
Quando chegaram, nem Flávia queria falar sobre o assunto, nem Madalena do que tinha acontecido e foram as duas para os seus quartos.
O quarto de Madalena tinha sido renovado. Teve a coragem e pensou que era impossível estar a insistir na pessoa que tanta amava, que não lhe tinha mandado nem respondido às cartas que ela enviara. Colocou todo o que ele tinha deixado lá em casa, dentro de uma caixa com uma etiqueta, para não confundir com as outras que se encontravam no sótão do prédio.
O seu quarto tinha um roupeiro com três portas de abrir. Uma delas continha um espelho, a sua mobília era branca e tinha uma secretária para poder fazer as suas coisas. A cama era a mesma, só que comprou novos lençóis e encostou a cama à parede o que fez com que ficasse só com uma mesinha de cabeceira. Ela dormia ao meio da cama para não sentir falta de ninguém, nem dele, o que muitas das vezes não resultava.

O quarto da Flávia também tinha mudado. Digamos que tinha um bliche de solteiro para as vezes em que a Márcia ía lá dormir e uma secretária nova com o seu computador.

E lá estavam as duas, Mãe e filha a desabafarem nos seus quartos.

[Madalena]
- Não isto não está nada bem. Mas o que é que faço?


[Flávia]                      
- Que clima no carro... Puxa. Ela vinha estranha. O que será que o director lhe disse?


[Madalena]
- Aquele director é um cara de pau... quer dizer eu também devia ter estado calada. Ai que nervos (aumentando o tom de voz, deitando-se na cama) Os homens são todos iguais.


[Flávia]                                         
- Bem ao menos de mim secalhar não falou... pelo menos para a deixar tão perturbada não. Mas como é que saberia o nome dela... Funcionária? ( Ri irónicamente) Impossível, ninguém ligou para lá, e muito menos bateram à porta... Então mensagem impossível.



[Madalena]
- Aquele director que não se atreva a ligar. Se eu dantes não ia às reuniões .... agora é que não meto mesmo lá os pés.


[Flávia]                                         
- Aquele quarto... Puxa. A Márcia de certeza que quer lá voltar... Mas eu? Não me parece. (pensa um pouco e sorri) Vá até que foi fixe aquela emoção.



[Madalena]
- Mas ... Ai Madalena, preocupa-te com a tua filha (tentando alertar-se a si própria)


[Flávia]                                         
- Só espero que a Rute tenha um castigo... Quer dizer... 


[Madalena]
- O que será que devo fazer nestas situações? Falar com ela? (pergunta-se) 


[Flávia]                                         
- Eu só me queria defender...



[Madalena]
- Não, não. (pensa um bocado) Já sei ( grita de êxtase)



[Flávia]                                         
- Bem o melhor ir falar com a minha mãe (dirigindo-se para a porta do seu quarto)


[Madalena]
- Tenho que lhe contar (diz toda entusiasmada) Eu sou um génio (elogiando-se como uma criança de 10 anos à medida que se dirigia para a sua porta)

Madalena e Flávia dirigiam-se à porta dos seus quartos, passaram para o corredor e quando ficam frente a frente, pronunciam-se as duas ao mesmo tempo.
- Preciso de falar contigo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Capítulo 17 - "Mistério [1ªpart]"

No Corredor:
[Flávia]
Sinceramente estava um pouco assustada mas a Márcia sabia sempre o que dizer. Entrámos por aquela porta e ela fechou-a sozinha. Estava escuro, não se conseguia ver mesmo nada, até que de repente a luz se acende e viro-me para trás.

- Calma , foi eu. - diz ela sorrindo.
- Assutas-te-me. - digo com a mão no peito. 
- Estás comigo, por isso calma.- e passa por mim. Ela continuava a olhar para o que se encontrava a trás de mim com os olhos de admiração, eu ainda não tinha percebido do que se tratava. Quando me viro para trás.
- Ó meu deus... -  e fico espantada, talvez tanto como ela, ou mais. Aquele não podia ser. 
- Olha aqui esta prancha, é mesmo linda.
- Pois é, isso já vi eu. - tocando na parede - E a cor desta parede... os desenhos. 
Aquela sala, ou o quer que fosse era linda. Tinha uma parede pintada de azul, com pautas musicais, alguns símbolos e na esquina havia uma prancha lindíssima. Mais ao fundo tinha uma cama de solteiro, que a Márcia não resistiu e deitou-se, mas nisto vejo ela a ir ao fundo. A cama era esquisita e num impulso, alerto-a.
- Cuidado. - aviso-lhe
- Calma... o colchão é de água. - diz muito descontraída
- A sério?- e aproximei-me, sentando-me no colchão que se encolhe tudo fazendo com que me deite. Era mesmo de àgua. Era engraçado mas para dormir não era nada confortável.
- Quem será que vive aqui?
- Achas que alguém vive? tu tens com cada uma. - levantando-me. Afinal queria ver melhor que espaço misterioso.
- Penso que sim, para que queriam a cama - olhei-a - nem digas que isto é a enfermaria - rimo-nos.
- Enfermaria não é de certeza. - pensei um pouco enquanto olhava para aquela parede linda. - Será que isto é do director? - não recebi resposta dela o que me assustou, e quando me viro para trás, estava ela com os olhos fixos numa guitarra que se encontrava ao pé do pequeno móvel de madeira, onde tinha uma flor artificial.
- Já viste como é bonita. - informa-me, continuando a olhar para ela e alcançando-a.
- O que vais fazer? - pergunto-lhe.
- Então - olha para mim - Sempre quis tocar nestas cordas. Agora que tenho oportunidade não a vou desperdiçar.
- Olha que se alguém ouve...
- Calma - interrompendo-me. - Eu sei que também estás com curiosidade.
- Sim...- sorri e tornei-me a sentar na cama, que tornou a fazer com que me deitasse. A Márcia ria-se da maneira com que me eu atrapalhava na cama, ficando até de pernas para o ar.
Aquela cama para dormir? Eu é que não passava lá nem uma noite.
Depois de lá tocar nas cordas que ela tanto queria, oiço uma voz do lado de fora. Parecia que iam abrir a porta e alertei logo a Márcia que pousou a guitarra, e foi apagar a luz.

- Boa e agora como saímos - disse eu sussurrando.
- Calma – e vi uma luz. Era a luz do telemóvel dela. – As tecnologias de hoje em dia…-rimo-nos.
- Tem que haver aqui outra saída…. – disse eu tentando procurar. Mas pelos vistos a Márcia já a tinha encontrado primeiro. Aquela rapariga dava conta de tudo. Eu não tinha reparado, pois mais uma vez a porta era da cor da parede, o que baralhava um pouco.
- Como é que a viste? – perguntei-lhe à medida que nos dirigiamos para lá.
- Graças a isto – pondo a mão na maçaneta, que era de metal. – O metal brilha. –rindo.
- Só tu – abanei a cabeça rindo-me também. Por incrível que pareça à Márcia não lhe escapava nada.


Ela abriu a porta devagarinho e avistamos logo uma luz a vir do outro lado. A luz era conhecida e quando passamos para o outro lado e fechamos a porta, verificamos que estávamos no sitio onde tínhamos estado antes. Ao pé do sofá.. 
Passado uns segundos ouvimos uns barulhos de saltos altos. E sentámos  rapidamente tentando voltar ao estado normal.
- E se é a pessoa que ouvimos lá de dentro- diz a Márcia um pouco assustada.
- Pois - digo-lhe sem conseguir dizer nada.
- Ela vai reparar que não estávamos daqui antes...
- Dizemos que estamos à espera da minha mãe. - tentando arranjar uma solução. 


Nós sussurrávamos de modo que quem viesse aí, não descobrisse o nosso plano. Estávamos nervosas, mas quando os meus olhos transmitem que aquela pessoa não era má, devido aos cabelos e ao tons dos olhos, conclui que afinal era a minha mãe. Sinceramente, não estava com uma cara muito agradável, e vinha a resmungar baixinho, como tivesse chateada consigo mesmo.

- Então mãe, demorou....
- Vamos embora, meninas - continuando a andar.
- Calma - dizemos em coro - Estás com pressa. - acrescento.
- Não, estou . - parando e deu meia volta. Eu e a Márcia dirigimo-nos a ela com o passo um pouco acelerado para chegar ao pé dela antes que ela se lembrasse de acelerar. 
- Então a conversa foi assim tão má? - perguntei-lhe
- Não - Disse virando de maneira a dirigir-se à saída.
- O director não a tratou um pouco estranho D. Madalena - disse a Márcia.
- Não, porquê? - Continuava a andar, sem sequer olhar para nós..
- Mãe, ele sabia o teu nome. - relembrei-a, pois tanto eu como a Márcia reparámos nesse pormenor.
- Foi a funcionária.
- A funcionária? -dizemos em coro. 
- Sim, agora andem. .
Eu e a Márcia ficámos a olhar uma para outra. Como era possível a funcionária avisá-lo se ninguém telefonou para o escritório enquanto lá estivemos. Era impossível... 


Na rua:
A Madalena dirigiu-se para o carro e pôs logo as colunas a transmitirem a cidade Fm. Só depois entra a Flávia e a Márcia que tinham ficado para trás, devido aos passos apressados da mãe.
- Ó mãe, tu tens a certeza...
- Flávia. - interrompendo-a.- Tenho a certeza absoluta. - adivinhando o que a filha ía dizer.
- Ok, não digo mais nada.
- Pois exacto meninas. Apreciem a música. É melhor.

Passado uns minutos.
- O que vai acontecer à Rute D. Madalena? - pergunta a Márcia.
- O director não chegou a dizer.
- É bom que tenho um castigo. - diz a Márcia com um tom agressivo.
- Também acho. - olha para a filha pelo retrovisor - Como isto foi acontecer, Flávia? - pergunta-lhe delicadamente.
- Não sei.- olhando para a janela, logo que se apercebeu que a mãe a observava.
- A sério?- franzindo a sobrancelha.
- Ó mãe e que tal apreciarmos a música. É melhor. - Transmitiu exactamente as mesmas palavras que a mãe. Madalena sorriu.



quinta-feira, 28 de julho de 2011

Capítulo 16 - "Desculpe(a)"


Aquele objecto que separava o corredor do interior do escritório impedia de ouvirem o que eles diziam. Até que desistiram pois ouviram um barulho nas escadas e calcularam que seria alguém. 
- Vem aí alguém - diz a Flávia, ficando alertas para o fundo do corredor.
- Pois vem. -pegando na mão da Flávia - Anda, não podemos ficar aqui.
E entraram numa porta que avistaram, estava fora da visibilidade era certo, mas elas tinham de sair dali, era muito mau se alguém as vi-se ao pé da sala do director. Depois se a pessoa as mandasse entrar, a D.Madalena ia perceber que elas estavam a tentar ouvir a conversa.
- Olha , diz "Proibido a gente desconhecida" - Alerta a Flávia, lendo o papel na porta.
- Eu conheço-te, tu conheces-me, por isso não somos desconhecidas - brincou - preferes que nos apanhem?
- Claro que não. 
- Então anda. - Abriu a porta - Um pouco de aventura - disse baixinho, entrando com a Flávia, e fechando a porta devagarinho.


No escritório:
[Madalena]
Estava na escola, e nunca tinha ido lá, a Flávia tinha boas notas, não se portava mal, eu podia confiar nela... Não havia razões de ir às reuniões onde os professores falam de coisas de que não tem nada a ver. Quando cheguei à escola... nem queria acreditar, aquilo era mesmo grande. Tive de andar a perguntar às funcionárias onde era o gabinete do director, até que uma senhora simpática levou-me até ao bloco. Subi as escadas, parecia que nunca mais chegava ao 3ºpiso. Quando finalmente cheguei, foi fácil encontrar a porta, pois estava bem explicito "Gabinete da Direcção", por isso dirigi-me até ela. À medida que andava os meus saltos altos, muito desconfortáveis, faziam imenso barulho, o que me fazia sentir como o centro das atenções, mas ninguém se encontrava ali por isso não me preocupei muito. Por dentro sentia-me ridícula pela roupa que tinha vestido, mas como era a primeira vez que ia falar com o Director tinha de ter boa impressão... Se calhar até de mais. Quando cheguei à porta ganhei modos, e bati. Ouvi uma voz confortante. E entrei.
O director foi um pouco estranho, logo no inicio, disse logo o meu nome sem saber eu o dele. O que me preocupou um pouco... mas calculei que alguma funcionaria lhe tivesse avisado. Afinal elas servem para isso. As raparigas estavam lá sentadas nas cadeiras, e quando entrei tentei procurar a honestidade e a educação nele, não sei porque, mas parecia que estava ali a testá-lo. Mandei as raparigas saírem, para poder falar melhor com ele.


- Porque é que as mandas-te lá fora?  - Pergunta-me e mais uma vez trata-me por tu. Não dou muita atenção, pois pela expressão dele verifiquei que se tinha apercebido do que tinha dito, e sem dar-lhe chance de pedir desculpa ou o quer que fosse, respondi-lhe.
-Eu vi o senhor a tentar comunicar com elas.-Pôs as mãos em cima da secretária e olhei-o nos olhos.-Você não está a pare da situação pois não?  - fiz pausa - seja sincero... - pedi-lhe.
- Não mudas-te nada - sussurra e sorri.
- Desculpe? - não o tinha conseguido ouvir
- Nada... nada - atrapalhando-se.
- Que tipo de director é o senhor que não toma conta da sua escola. - voltei ao assunto.
- Eu tomo conto dela e dos alunos que cá estudam.
- Não me avisou do assunto. 
- Eu ...
Fica um pouco atrapalhado e levanta-se do seu cadeirão. Dirige-se à janela que se encontrava atrás dele, e manteve-se lá em pé colocando as mãos nos bolsos.
- Eu não sabia que a senhora era a mãe da Flávia -continuando - não sabia que a sua filha estava com estes problemas. - com uma voz meiga - Peço desculpa.
- Não sabia que era a mãe dela .... mas como sabia o meu nome?

Não me respondeu, simplesmente continuava a olhar para a paisagem que se via através das suas janelas. Fiquei um bocado baralhada pois não sabia se ele estava a pensar no que me haveria de responder, e decidi chamá-lo.
- Senhor director - sem resposta dele, estava mesmo fixo na paisagem - Senhor director - levantei um pouco a voz, se calhar até de mais, pois ele assustou-se e olhou para mim.
- Descul ... pe - engasga-se - Disse alguma coisa.
- Como sabia o meu nome? - insisti.
- Há ... o seu nome...- repetiu-me - A funcionária. Ela avisou-me.
- Pois, calculei que tivesse sido isso. - Afinal os meus cálculos estavam certos e sorri.
- Peço desculpa por não lhe ter dito nada. Peço desculpa por não ter tomado conta da sua filha. Peço desculpa.... - pedia ele , com a maior delicadeza. Nunca o tinha visto um director, nem sequer a minha patroa era assim tão delicada quando era injusta comigo, e interrompi-o.
- Não precisa de pedir desculpa. Eu tomo conta da minha filha. Não preciso que o senhor tome conta dela. - informei-o um pouco ofendida. -  Só quero que lhe dê segurança.
- Não era isso que queria dizer
- Pois, eu percebi. - disse um pouco chateada. - Eu queria saber o que vai acontecer à outra rapariga.
- A Rute? Vou telefonar aos pais dela... Vamos ver o que eles vão dizer.
- Depois gostava de ser informada.
- Sim senhora. Queira-me deixar o seu número... - diz baixando um pouco a cabeça que a principio pensei que fosse de timidez, mas nisto vejo-o a remexer com a mão no bolso do seu casaco, tirando uma caneta, o que me fez rir de mim própria. - Está-se a rir - diz-me espantado - É bonito...
- Bonito? O quê?- aquele director era esquisito.
- O seu... - olhando para a minha cara- olhos. Os seus olhos são bonitos - completa.
- Hum... o meu número - relembrei-lhe - a caneta se faz favor - pedi-lhe educadamente.
-  Sim tem aqui - poisando a caneta em cima da sua secretária. Tirei um papel da minha mala, e apontei o meu numero. - Tem aqui - levantei-me - Vou indo, então.
- Sim, muito bem. Então até um dia destes. - dá a volta à sua secretária e vem ter junto a mim.
- Desde que não seja numa situação destas - sorri, mas apercebi-me que a resposta não tinha sido certa.
- Sim.. Quem sabe um café... - fiquei admirada pela sua proposta. Pensei que fosse levar a mal. E olhei para a mão dele. o que eu temia, tinha aliança. Mas que director, assim do nada já aproveitar-se de mim. 
- Desculpe se me fiz expressar mal, eu não estava a combinar nada consigo. - avisei-o. - O senhor aproveita-se. - dirigi-me à porta, ofendida, e magoada comigo mesma.
- Peço desculpa - Abri a porta, fingindo que não o ouvia - Desculpe-me - implorava e eu sem olhar para trás. Sentia-me mal, pois eu é que tive a culpa, não devia ter dito aquilo. Foi andando até me encontrar do lado de fora com a mão no punho da porta pronta a fechá-la e ele ainda se pronuncia mais uma vez, com delicadeza.
 - Desculpa Madalena - abrandei o meu gesto e olhei para ele, queria verificar se estava a ser sincero, e vi que continuava a olhar para mim. Não tive coragem de responder e fechei a porta. Mas que parvoice. O que se tinha passado ali não se justificava. Que momento estranho. Aquelas últimas palavras faziam eco na minha cabeça. Precisava de ir para casa.



quinta-feira, 21 de julho de 2011

Capítulo 15 - "A curiosidade"

Os olhos de todos continuavam-se a fixar na porta. Cada vez se aproximava mais o barulho dos saltos altos, até que a pessoa bateu duas vezes à porta.
- Sim - diz o director com a sua voz rouca, e com os seus olhos fixados na porta.

A pessoa roda a maçaneta, abrindo a porta um pouco.
Primeiro viu-se uns cabelos ondulados castanhos a expreitarem, só depois se consegiui ver uns olhos esverdeados, e ouviou-se.
- É aqui.

Quando a pessoa vira as costas para fechar a porta, a Flávia já se tinha a percebido de quem se tratava. Aquela voz para ela era conhecida, muito, muito conhecida, mas só quando a pessoa se vira de frente para eles, é que o director se apercebe de quem se tratava.
- Madalena - diz ele ficando espectado a olhar para ela, deslumbrando com os olhos de cima a baixo.
- Dona Madalena - Corrige-o, dando uns passinhos em frente e inclinando o braço para se comprimentarem - Sou a mãe da Flávia. Lamento de nunca ter vindo às suas reuniões, mas sabe, o trabalho não permitia.
- Há sim, pois.- gaguejando.

Flávia estranhava a reacção do director. Não só a Flávia como a Márcia e a Rute também que teve de se pronunciar.
- Pa... Sr.Director - corrige-se com uma cara rude - Está bem? - mudando a faceta para preocupada.
- Estou - continuando a olhar para Madalena.
- Posso-me sentar? - pergunta-lhe 
- Pode sim. Claro que pode. Sente-se. - Diz um pouco atrapalhado, sentando-se também no seu cadeirão.
- Já sobe o que se passou. Importa-se de me explicar - Pediu-lhe ao mesmo tempo que cruzava a sua perna, colocando a mala em cima delas.
- Ah - um pouco embaraçado - Elas estavam agora a explicar ...
- Então o Director não sabia do que se passava - diz suspeita interrompendo-o
- Ah, digamos que ... - pensa um bocado e retoma a frase - Que hoje o caso agravou-se.
- Ai sim ... - continuando com a cara de quem não estava convencida.

O Director olha para as raparigas, tentando que elas falassem e confirmassem uma parte. A parte em que só hoje é que a situação se tinha agravado, pois ele saber do que se passava, isso não sabia.

- Meninas, importam-se de sair, se faz favor. -Pediu delicadamente Madalena, logo que reparou que o Director tentava comunicar com elas por olhar, pois o que ela queria mesmo saber era se o Director era sincero o suficiente para dizer a verdade.
- Sim - disse a Márcia, pegando no pulso da Flávia e levando-a em direcção à porta para saírem.
- E a menina, se faz favor - diz Madalena olhando para a Rute.
- Há sim. - responde um pouco insatisfeita.


A Flávia e a Márcia já se tinham retirado do escritório e sentaram-se num sofá que se entrava a uma pequena distância do escritório, à espera da Madalena, e viram a Rute. Ela olhou-as de lado, e continuou o seu caminho, nem para trás se limitou a olhar.

- A minha mãe estava estranha, não estava? - diz a Flávia, um pouco surpreendida pela atitude da mãe.
- Sim, realmente também notei.
- Foi estranho .... - diz um pouco pensativa.
- Pois foi. - faz uma pausa - E Vis-te como ela vinha vestida. Nunca vi a tua mãe de saltos altos, com uma saia preta um pouco acima do joelho e uma blusa branca por dentro. Não faz nada o estilo dela.
- Pois não. Mas ela estava linda. - sorrindo - Ela saltos altos usa. Mas já há muito tempo que não me lembrava de a ver assim. Parece uma empresária.
- Pois parece. Os saltos fazem-na mais alta.
- Mais alta do que já é.
- Deve ser para ficar da altura do director.
- Realmente. Ele é muito alto. - abanando a cabeça afirmativamente.
- 1.88
- Ah? - olhando para a Márcia, pois não tinha percebido.
- 1.88 - repete - 1.88 , é quanto mede o director - Esclarece.
- Ah... - entendendo-Agora já percebi. Mas puxa tanto...
- Ya - olhando para o relógio que se encontrava pendurado na parede da frente- A tua mãe está a demorar...
- Pois está. O que será que se passa lá dentro.
- Também não sei.
- Queres ir ... - fazendo gestos para a porta do escritório.
- hum... - percebendo aqueles sinais -  não sei se será boa ideia. - não ficando muito convencida.
- Ninguém vai saber- Tentando tranquilizá-la.
- Olha que não sei. E se aparece alguém?
- Se formos agora que não está ninguém... - Faz uma pausa-  Também é num instante.
- Hum... -pensa um pouco.
- Anda - levantando-se e pegando na mão da Márcia, tentando incentivá-la.
- Está bem.

Foram sorrateiramente em direcção à porta do escritório.
Caminham com as pontas dos dedos, olhando sempre à sua volta, até que alcançam a porta e colocam os seus ouvidos juntos à madeira castanha para poderem ouvirem algo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Capítulo 14 - "Só avisos e... silêncio"

O gabinete do Director era enorme e por detrás do seu cadeirão continha uns enormes vidros que dava para ver a cidade toda, pois situava-se no 3ºpiso do bloco E.
Quando entraram, o Director estava sentado na sua cadeira de pele preta com os cotovelos em cima da mesa com uma cara de quem não tinha gostado nada da situação.

- Sentem-se - Ordena-lhes com a sua voz grossa, chegando uma das suas mãos à sua pequena barba no queixo que tinha deixado à pouco tempo de fazer. - Quero que me expliquem tudo sem insultos. - virando a cara para a Márcia.
- Eu conto - diz a Rute, fazendo com que os olhos do director se desviei da cara da Márcia, focando-os na cara da Rute.
- Não contas nada sua mentirosa - Impõe-se a Márcia - Aproveitas-te dos mais novos.
- Que conversa é essa?- Desta vez o Director focava a cara das duas, inclinando-se para trás.
- Ela é que está a mentir - apontando para a Márcia.
- Não estou nada - levantando a voz.
- Já chega!- levantando-se e batendo com a mão na sua secretária. - Deixei a Flávia falar, afinal ela é que estava no chão. - sentando-se no cadeirão e focando a cara da Flávia, que mantinha a cabeça baixa, e devagarinho a levantou para o encarar.
- Bem - diz baixinho,mas quando sente a Márcia a segurar-lhe na mão,  sentiu muita força e coragem para falar sem ter medo. - A Rute tem em obrigado a trazer coisas para ela. - disse nem muito rápido nem muito devagar, falou o suficiente para o director deixar cair o seu queixo de tão surpreso ficou pela situação.
- Vai-se arrepender. - diz a Rute, entre dentes furiosa.
- Quem se arrepende és tu se lhe tocares - Avisa a Márcia que ouviu o que ela tinha dito.
- Arrependem-se as duas se tornam a dar avisos umas às outras - Avisa-as o Director, e de repente faz-se silêncio.

Silêncio suficiente para se ouvir passos  de salto alto, concluindo que seria uma mulher.
O som cada vez se aproximava mais, o que fez com que ficassem a olhar para a porta com curiosidade para saberem, quem é que haveria de abrir aquela porta, logo naquele momento.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Capitulo13 - "Protectora"

Márcia quando chegou lá, viu a Rute a encostar a Márcia à parede, acabando-lhe por dar uma chapada. Flávia foi descendo pela parede até se sentar no chão.
- Satisfeita - diz-lhe com os braços agarrando os joelhos e com lágrimas a escorrerem-lhe o rosto.
- Achas que tenho pena de ti? - fechando a mão com força, até ficar vermelha -  Não fizes-te o que te mandei. - e começou a dar-lhe pontapés.


Márcia quando vê a amiga a ser tocada com toda a força com aqueles ténis da nike, começa a correr na direcção da Rute e empurra-a, fazendo desequilibrar-se acabando por cair no chão.
- Ouve lá! Mete-te com alguém do teu tamanho! - Diz em alto e bom som, levantando a cabeça e enchendo o peito de ar.
- Mas quem é que tu és? - levantando-se do chão.
- Sou uma pessoa que tu não vais gostar de ver chateada!
- Chateada? Deixa-me rir. - diz ironicamente -  Eu não te fiz nada! - Voltando com a sua cara de furiosa.
- Pois não, mas fizes-te a ela - apontando para a flávia que ainda continuava no chão.
- Mas... - avista o professor e muda totalmente de reacção. - Eu? Eu não fiz nada. Vens aqui e empurras-me.
- Mas do que é que... - diz confusa devido á mudança de comportamento dela.

Director: O que se passa aqui? (interrompendo a Márcia, que fica surpreendida pela jogada da Rute)
Rute: Foi ela, sr. Director. Ela é que estava a bater na minha colega. (apontando para a Flávia)
Márcia: Eu?
Rute: Está a ver? já me está a imitar! (diz interrompendo-a)
Márcia: (fica furiosa pela sua falsidade) Sua CABRA! (diz alto, e atirando-se a ela) Quem é que fez o quê? Sua cabra (repetindo estas palavras à medida que se agarravam uma à outra com violência)
Director: Parem imediatamente com isso! (Impondo ordem naquele local) As três já para o meu gabinete (ordenou e saiu compondo a gravata)

A Márcia e a Rute param de brigar ao ouvirem a voz do Director a impor para que fossem as três para o gabinete. A Rute logo que se viu longe das mãos da Márcia seguiu logo atrás do Director para o gabinete, enquanto que Márcia senta-se no chão ao lado de Flávia abraçando-a.
- Calma já passou - diz com uma voz meiga, tentando tranqualizar Flávia.
- Eu estou farta -  Diz cheia de raiva, e com lágrimas a cairem-lhe fortemente pelo rosto, deitando a cabeça no ombro da amiga.
- Eu estou aqui. Nada te fará mal. Prometo. - dando-lhe um suave beijo na testa.
- Obrigada - não sabendo o que dizer mais.
- Obrigada? - Ficando pasma por aquela resposta - Não sejas parva, eu sei que farias o mesmo por mim - rindo-se as duas - Vis-te já te pôs a rir - afirma com ar de convencida durante alguns segundos.
- Tens um poder de fazer rir - Dando uma desculpa- Não tenho culpa .
- Ya, sabes é o meu Porto - Pondo o ar de convencida outra vez- É melhor que o...
- Vá, Vá - levantando-se e interrompendo-a, pois já sabia onde ela queria chegar - Não vais começar - limpando as lágrimas.
- Não.- rindo-se - Bora lá para o gabinete - levantando-se também.
- Pois- baixando a cabeça.
- Nem penses.- pondo a mão no queixo e levantando a cabeça da Flávia - Quero esses olhos a olharem para mim. São bonitos por isso nada de os esconder.
- Ok - sorrindo, e levantando a cabeça e começando a andar com confiança. Nisto sente a mão da Márcia a puxar-lhe o braço o que faz com que ela se vire para trás e olhe para ela.
- Olha eu vou estar aqui. O que te acontecer, acontece a mim - Sorrindo as duas e dando um enorme abraço.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Capitulo 12 - "Desconfiança"

Os colegas da Flávia andavam a desconfiar por a Rute andar a lanchar todos os dias, e resolveram fazer um plano para descobrir onde e a quem é que ela arranjava a comida.
Um dia no intervalo resolveram andar em cima de olho dela e repararam que ela estava a falar com a Flávia.
- Então trouxes-te e que te pedi? - pergunta-lhe.
- Não - responde-lhe a Flávia, abaixando a cabeça.
- O quê? Deixa ver mas é a tua mala - aproximando-se dela para lhe tirar a mala.
- Não - diz com mais firmeza, desviando-se dela.
- Como te atreves a falar assim comigo - diz furiosa - Pensas que sou o teu pai, que te abandona e mete-se com todas!
- O meu pai não se mete com todas.... - diz levantando a voz mas acabando por diminuir o tom.
- Tu não sabes garota! O teu pai era um chulo - à medida que falava, Flávia sentia-se com raiva por ela estar a falar assim do seu pai sem o conhecer.
- Cala-te! - interrompendo-a.- Tu não conheces o meu pai! - prenunciando cada palavra em voz alta.
Rute aproxima-se dela ....

Os colegas ao observarem aquela conversa, perceberam logo o que se passava, e ao verem a coragem da Flávia ao calar assim a Rute, deduziram que aquilo não ia correr bem e decidiram todos irem chamar a funcionária.

No bloco:
- D. Aurora, rápido, rápido.... lá atrás. - diz um dos colegas que vinha a correr quase sem fôlego.
- Que se passa? - pergunta a D.Aurora sem saber o porque daquela agitação toda.
- Uma colega ...  nossa... está ...  a ser ameaçada... - à medida que fazia breves pausas, tentava levar oxigénio para os pulmões inspirando pelo nariz.
- Quem? -  pergunta a Márcia que tinha saído da casa-de-banho e ao ver um colega da Flávia vir a correr tudo preocupado e mais uns tantos a trás dele a pedir ajuda à D.Aurora, ficou preocupada pois tinha um mau pressentimento por não ter encontrado a Flávia sentada no banco, onde costuma estar todos os intervalos, a ouvir música.
- A Flávia.... - diz o colega, já um pouco calmo, sentando-se numa cadeira para descansar.
- O quê? E não fizeram nada? - diz estupefacta pela reacções deles e sem esperar uma resposta, sai a correr do bloco e vai ao sitio onde se encontrava a amiga com alguém que bem não lhe queria fazer de certeza.

Será que a Márcia ia conseguir que este espectáculo acabasse?
Ou será que ia ser mais uma vítima da Rute?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Capitulo 11 - "Preocupação e a razão"

Flávia gostou desse dia com a mãe. Mas só de pensar que tinha de ir para a escola não lhe agradava nada.
Ela andava triste pois cada vez menos gostava da sua turma. Só o facto de não ter lá a Márcia, piorava as coisas.
A mãe preocupava-se pois reparava que ela sentia-se insegura na turma, mas pensava que ia passar, afinal ainda era os primeiros meses.
Todos os dias Flávia chegava a casa, e ía direitinha para o quarto, e Madalena quando lá entrava para saber como tinha corrido a escola, ela dizia sempre "Uma seca" ou mantinha-se calada.

Era a última semana antes das férias do Natal, e Flávia dirigia-se sozinha para a escola pelo caminho mais perto.
- Hey, miúda - diz um rapaz negro, calças largas ao fundo do rabo, cuja cara ela conhecia de vista.
- Sim - diz um pouco assustada, mas tentando não demonstrá-lo.
- Tens dinheiro?
- Não.
- De certeza? - aproximando-se dela. E o número de passos que ele dava para chegar a ela, era os mesmos que ela dava para se desviar, mantendo sempre a mesma distância.
- Sim - preparando-se para correr
- Não tens nada para me dar? - revirando os olhos, como estivesse possuído e esticando a mão para lhe tocar na cara.
Flávia empurra-lhe o braço e começa a correr em direcção ao portão da escola, chegando assustada, sem folgo e pensando que ele a podia a encontrar a outra vez. 
Nesse momento tinha concluído que sempre pelo caminho mais longo. 

Na escola, havia uma rapariga chamada Rute, que se metia com os mais novos, e infelizmente para a Flávia, foi mais uma das suas vítimas. Mas desta vez, Rute exagerava.
- Trouxes-te o teu lanche - perguntava-lhe
- Sim... Está aqui - tirando da mala sandes ou bolos e ás vezes sumo.
- Linda menina. 

E assim era. Todos os dias atrás da escola, num lugar onde não passava muitos alunos, pois era um sítio que todos sabiam que podiam encontrar algo que mais tarde poderiam se vir arrepender de ter passado por lá.
Se a Flávia não levasse algo para lhe dar, nunca se saberia o que a Rute lhe podia fazer.



domingo, 12 de junho de 2011

Capítulo 10 - "Mãe e filha"

No dia seguinte, Flávia já estava a pé às 8horas só para ver televisão enquanto comia Nesquick.
Madalena, continuava sem saber o que havia de fazer, e como não tinha paciência para estar em casa sugeriu:
- Flávia, queres vir às compras?
- Claro ! - Largando a tigela, para se ir vestir, e dando um beijo na cara da mãe. - Adoro-te!
- Eu também - Sorrindo - Vá vai-te vestir.
- Mãe... Não sei o que vou vestir - sorrindo
- Vamos lá que eu ajudo - indo as duas o quarto escolher a roupa.

No Carro:
- Mãe, porque é que tu e avó estavam chateadas ontem à noite?
- É muito complicado?
- Complicado? Isso não admira nada. Vocês adultos só complicam as coisas! - Diz com toda a firmeza de que tinha razão, fazendo a mãe rir. - Ris-te?? Bem digo eu....
- Pois filha, até tens razão. Nós adultos só complicamos.
- E Vamos mudar de casa?
- Não, filha isso não.
- E a Márcia?
- A Márcia vai continuar a morar no prédio em frente ao nosso, e na mesma escola que tu.
- Pois a escola...
- Eu sei que está triste por não teres ficado na mesma turma dela. Mas já não havia nada a fazer.
- Eu sei....
- E também tens de fazer novas amizades.
- Pois mas um reforço é sempre bom.
- Calma... Bem olha já chegamos. Agora vamos divertir-nos está bem?- Flávia sorriu.

Esse dia foi em cheio para as duas. Foi um dia relaxante, em que a Flávia conseguiu esquecer a escola e a Madalena conseguiu esquecer todas aquelas perguntas que a tinham atormentado naquela noite.
Afinal, as respostas eram muito mais simples do que pensava.

Capítulo 9 - "Pensamento Jovem"

Flávia estava no quarto e tinha ouvido tudo o que se tinha passado na cozinha.
Ela preocupava-se com a mãe, pois sentia que ela tinha saudades do pai. Pai, que ela nunca viu, mas acreditava nas palavras que a sua mãe dizia à cerca dele, pois eram letras e juntas uma a uma, encaixavam perfeitamente nos olhos brilhantes dela.
Mas naquele momento Flávia estava preocupada, e decidiu escrever.


"Querido Diário...
Quem diria que eu te ia usar? 
Ainda para mais hoje no meu dia de anos que estou totalmente estafada porque a minha festa foi muito divertida e comi demais... 
Mas bem, pode ser que tu me compreendas, ao menos que me entendas, ou então... deixa-me só escrever.
Vou-me apresentar.
Como já deves ter percebido, faço anos no dia 4 de Novembro, e hoje fiz 10anos.
Bem, moro em casa com a minha mãe. O meu pai? Não sei. 
Não o conheço, mas por aquilo que a minha mãe fala dele, ele é uma pessoa espectacular e não me abandonou! Simplesmente "teve que ir salvar o mundo". É o que ela diz.
Hoje estou preocupada com ela, afinal de contas discutiu com a minha avó na cozinha.Tudo isso porque a minha avó falou em mudar de casa, e a minha mãe começou a falar muito alto, até que eu consegui ouvir tudo.
O que não percebi foi quando ela terminou a conversa com "Eu não vou deixar que ela sofra como eu sofri!"
O que será que ela queria dizer com isso? Sofrer como ela sofreu?
Apesar destas suas palavras terem sido com raiva e revolta, eu ainda consegui sentir protecção...Mas estava a proteger do quê?
Bem não percebo nada de conversa de adultos... também são todos muito confusos. E ainda para mais não percebi se ia mudar de casa ou senão....
Os adultos só põem questões difíceis para nós crianças, e muitas das vezes tomam decisões complicadas para um dia virmos a entender.
Agora o pior de tudo é que amanhã é Domingo... é muito mau, quer dizer que depois é segunda! 
O clima na escola não anda muito bom... Também o melhor é não pensar nisso. Um dia hei-de ter coragem... e não me peças para te implorar para te contar o que está acontecer... Um dia talvez te escreva... Mas talvez quando tiver coragem... é que nem com a minha mãe... nem com a Márcia consigo falar, agora que não estamos na mesma turma, apesar de ser na mesma escola, é muito difícil ...... "



sábado, 21 de maio de 2011

Capítulo 8 - "Uma opinião"

Madalena sentou-se na cadeira, e pôs-se a beber chá com a sua mãe.

- Filha já pensas-te que tens uma filha... e que tens de tomar conta dela.
-Claro que já! Eu penso nisso todos os dias!  -Faz-se silêncio - eu queria tanto que ele estivesse cá...
- Mas tu tens de superar isso! Já lá vai muito tempo...
- Mas ... -diz entre soluços
- Mas tu tens de seguir em frente!
- Mas custa....
- Custa, mas passa. - colocando a mão por cima da mão da filha. - Queres que te diga uma coisa... eu acho que tu devias mudar de casa.

Madalena retirou a mão por debaixo da da mãe, levantou-se. Ao associar aquilo que ela tinha acabado de dizer, estoirou e disse:
- O quê?  - Batendo com a caneca na mesa. - Nem penses nisso! Eu não vou deixar esta casa. 
Não vou deixar que a minha filha vá para um sítio onde tem de fazer novas amizades.
Não vou deixar que ela deixe as pessoas de quem mais ame só porque eu decido mudar de casa, visto que não consigo parar de pensar como estará a pessoa que amo! ... Eu não vou deixar que ela sofra como eu sofri!


Quando acabou de dizer isto, dirigiu-se para o seu quarto.
Cristina tenta falar com ela, mas Madalena diz-lhe para se ir embora.
Assim que a sua mãe se foi embora, Madalena, vestiu a camisa de dormir, acendeu a luz da mesinha de cabeceira e sentou-se na cama por baixo dos lençóis.
Ela só conseguia pensar, ou melhor, só conseguia fazer perguntas. Mas não havia nenhuma para qual ela arranja-se uma resposta simples.

Capítulo 7 - "Sentimento forte"

No final da festa, Flávia foi ver televisão para a sala, enquanto Madalena e Cristina limpavam a loiça do jantar.

- Então filha, que tens? -pergunta Cristina
- Nada, porquê?
- Eu sei que tu consegues. Tu és um mulher forte.
- Mãe pare com isso. Fogo!... Já basta ter que me mentalizar todas as noites que ele não está comigo....
- Já pensas-te em que ele pode não voltar? Afinal já lá vão 10 anos e ele só te enviou uma carta!
- Mãe pare! ....  Suplico-lhe - Com lágrimas nos olhos - Dói-me muito não saber como ele esta, onde ele está,... o que está a fazer ....  - Desata a chorar.

Cristina abraça Madalena, pondo a cabeça dela no seu peito, e à medida que ia passando com a sua mão na cabeça dizia:
- Calma filha.... eu estou aqui, como sempre estive.

Depois de Madalena ter-se acalmado, foi deitar Flávia.
E no regresso à cozinha sentou-se num banco, ao lado de Cristina que bebia chá, oferecendo-lhe.